Uma Aventura

E outras coleções

Uma Ilha de Sonho

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

Arlindo Fagundes

Editorial Caminho
Coleção , nº4
182 pp
sob consulta

Resumo/Apresentação

Neste livro, o mergulho histórico leva a Ana e o João à ilha da Madeira no tempo em que ali se estavam a instalar as primeiras famílias de colonos. João apaixonou-se por duas raparigas, Esmeralda e Grimanesa e, como não conseguiu decidir de qual delas gostava mais, declarou-se a ambas! Mas as trapalhadas em que se envolveram não foram apenas românticas. Houve intrigas, incêndios e a mais incrível caçada aos ratos que saltavam dos navios para roer as canas-de-açúcar acabadinhas de plantar.

 

(ISBN) 9789722100441

Excerto do Livro

«— Isto não vai bem, não! Já se incendiou uma seara de trigo, mais uma plantação de cana-de-açúcar, que por estas bandas está a dar muito bem. As canas plantam-se e depois crescem que benza-as Deus! Chegam a atingir oito a dez braços de altura... e depois, vê-las arder é uma dor de alma! — Mas quem é que lhes terá posto fogo? — perguntou Diogo de Lagos. Frei Gaspar voltou a benzer-se. — Eu tenho cá para mim que só pode ser o demónio, quando anda por aí de noite a uivar pelas serras. — Mas esses uivos não serão de animais? — perguntou de novo Diogo de Lagos. — Não — responderam Álvaro e o frade em coro. — Em toda a ilha não há animais venenosos! Nem lobos, nem ursos, nem feras que causem pavor! — Até te digo mais, nem cobras! Só há duas espécies de animalejos imundos: ratos e pulgas! Nem de propósito! Após a última curva do caminho, deparou-se-lhes um fio esticado com muitos ratos mortos pendurados pelo rabo. — Bâ, que nojo! — gritou a Ana, saltando para trás. — Que porcaria é esta? Grimanesa riu-se, divertida com o susto dos visitantes, pois para ela aquilo não tinha novidade. — Há muitos ratos por aqui. O meu pai quis experimentar esta plantação de cana-de-açúcar, mas a rataria anda a dar cabo de tudo! Roem os pés, roem as canas, roem as folhas. . roem tudo! É preciso matá-los. — Matá-los, está bem. Mas para que é que os penduram num fio? — Ora, isso são os criados e a rapaziada para mostrarem as suas habilidades. O meu pai dá-lhes pão e vinho por cada fio com ratos que apresentarem. E então é isto! Ao longo do canavial, havia várias fiadas de ratazanas mortas e secas ao sol, que muito os enojou. Mas valeu a pena a caminhada, pois foram muito bem recebidos pela mãe Grimanesa. De facto, a senhora pareceu encantada por ter tantos convivas a quem oferecer os tais bolinhos que eram o seu orgulho. — Comam! Comam à vontade! Estes são de mel vindo do Porto Santo, um mel como não creio que haja outro no mundo! E estes, são uma receita nova! São bolos de açúcar. Tenho a certeza de que nunca provaram bolos feitos com açúcar. O João e a Ana trocaram um olhar cúmplice e disfarçaram a vontade de rir. Era tão engraçado estar num tempo em que o açúcar ainda era novidade! E que novidade! A senhora não se cansava de apregoar as virtudes daquele produto. — O açúcar é o melhor dos manjares! Fortalece o espírito e o corpo, principalmente os pulmões e a garganta. A minha Grimanesa, aqui há tempos, teve uma inflamação e encheu-se-lhe o corpo de feridas. E sabem como é que lhas curei? Com açúcar em pó! Ela fartou-se de chorar, mas depois passou-lhe tudo.»

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